segunda-feira, 25 de agosto de 2014

APRESENTAÇÃO DE CANTORIA

(Benildo Nery)




O clima é especial
O auditório tá lotado
Sinto-me lisonjeado
Por estar neste local
Com tanta gente legal
Extravasando harmonia
Percebo e dou garantia
Vai ser uma noite “impa”
Inesquecível, supimpa
Viva a nossa poesia!

Queremos agradecer
A todos aqui presente
Aos lá de trás, meio e frente
E aos que vão comparecer
Brigado por atender
Ao nosso humilde chamado
Também deixar registrado
Os nossos apoiadores
Nossos patrocinadores
A todos, muito obrigado!

Os do meu lado aqui são
Nossos ilustres poetas
De uma linhagem seleta
Do repente e da canção
Plangentes as violas estão
Com as cordas bem afinadas
Por seus donos abraçadas
Somente esperando a hora
Que a plateia mais adora
Que é quando elas são tocadas.

Preparem os seus pedidos
Nos seus estilos diversos
Que em requintados versos
Eles serão atendidos
Seja OITAVÃO REBATIDO
GABINETE ou QUADRÃO
Desafio em MOURÃO
Ou GALOPE A BEIRA MAR
SEXTILHAS. Pode mandar
Seu pedido de CANÇÃO!

DESAFIO MALCRIADO
Pode pedir que atendem
Se atacam, se defendem
Nisso são bem preparado
Um MARTELO AGALOPADO
Pra eles darem pinotes
Vá pensando aí nos motes
Só basta solicitar
Que eles irão cantar
Na vera sem passar trotes.

No mais é mesmo assim
Que será o nosso evento
Aproveite esse momento
Esqueça o que é ruim
Faça igualmente a mim
Erga a cabeça! Sorria!
Se encha de alegria
Que hoje a noite é nossa
O resto o tempo endossa
Viva a nossa cantoria!
 


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

TROVAS

(Kynheo ferreira)

Serei o dono do mundo
filho da imensidão
primo do saber profundo
da coragem sou irmão
neto do velho universo
sobrinho eu sou do progresso
e sou pai da união.

Vou além do horizonte
pela linha do destino
galgo o cima do monte
com destreza de menino
habito na tempestade
vislumbro a felicidade
acredito ser divino.

domingo, 10 de agosto de 2014

O MEU PAI ME CRIOU FAZENDO USO/DA COLHER DE PEDREIRO EM SUA MÃO

(Benildo Nery)




Tempo em tempo ele foi agricultor
Cultivou muita terra em outrora
Também foi conhecido “mundo” afora
Como Pedro o mestre construtor
Mas a obra onde foi superior
Sou a prova e a confirmação
Foi no erguer da família, a construção
Que em versos agora eu difuso
O meu pai me criou fazendo uso
Da colher de pedreiro em sua mão.

Foi um forte, um guerreiro diário
Chuva ou sol ele estava no batente
Sustentou nove filhos, muita gente
Sem ganhar os melhores dos salário
Um urbano com instinto de agrário
Dividiu-se em mais de uma profissão
Por saber não podia faltar pão
Nisso aí ele nunca foi confuso
O meu pai me criou fazendo uso
Da colher de pedreiro em sua mão.

Construiu em fazendas casarões
Umas próximas e outras bem distante
Frente a isso era prática constante
Ficar dias nas terras dos patrões
Em casa dezena de corações
A esperar com uma certa aflição
Preparando uma recepção
Pra fazê-lo sentir-se eterno incluso
O meu pai me criou fazendo uso
Da colher de pedreiro em sua mão.

Desde casa pra servir de morada
Às chamadas de casa de farinha
Quatro água, chalé ou simplesinha
Com tijolo a mostra ou rebocada
A cocheira e jequi para boiada
Pra dormida e para vacinação
Cocho para botar sal e ração
Pra prensa de madeira fez o fuso
O meu pai me criou fazendo uso
Da colher de pedreiro em sua mão.


Em momentos a doença lhe abateu
Pondo pausa em sua atividade
Como tinha grande capacidade
Lá no fim da batalha ele a venceu
Quando menos esperava ascendeu
Numa impressionante recuperação
Se a vida lhe trouxe provação
Ele a superou fato profuso
O meu pai me criou fazendo uso
Da colher de pedreiro em sua mão.

Hoje ele está velho e cansado
Encostou todas suas ferramenta
Mas ainda ele quase não se senta
Apesar de já ser aposentado
O meu rei para sempre coroado
De coragem, humildade e ação
Que a família se deu sem prestação
Sem cobrar nem sequer um parafuso
O meu pai me criou fazendo uso
Da colher de pedreiro em sua mão.

Quando para outro plano ele partir
Vai deixar um vazio disso sei
Mas assim como os outros eu terei
Que o exemplo de vida seu seguir
Problemas encarar sempre a sorrir
Pulso firme e determinação
Diante de cada situação
Seu legado jamais será concluso
O meu pai me criou fazendo uso
Da colher de pedreiro em sua mão.

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