segunda-feira, 21 de março de 2016

O SENHOR MANÉ "SANTINHO"

(Benildo Nery)


O senhor Mané “Santinho”
Um cabra a Deus temente
De uns meses para cá
De forma muito frequente
Pra igreja não tem ido
Nem a Palavra tem lido
Tá agindo igual demente.


Fica prostrado na frente
Da sua televisão
Dizendo: “sou antenado
Tô buscando informação”
Mas só assiste a Globo
Mostrando o quanto tá bobo
O mais fino paspalhão.


Findada a exibição
Corre para o seu PC
Com tantos sites incríveis
Mas sabe o que ele lê?
As notícias do G1
Todo aquele zum zum zum
Que ele já viu na TV.


E o pior que ele crê
Que é tudinho verdade
Que aqueles que admira
É que têm a qualidade
Nata para a política
Desde a era Neolítica
Um rio de honestidade.


E com essa bestidade
Passa então a atacar
Nas tais redes sociais
Qualquer um que discordar
Da sua opinião
E em ato de imposição
Quer sua ideia empurrar.


E se dana a apontar:
“Esse aí é um ladrão
Tá enterrado na lama
Num “mar” de corrupção
Já o meu é ficha limpa
“Politicaço” supimpa
Que irá salvar a nação.


Ser anticorrupção
É a sua maior marca
Eu queria que o Brasil
Voltasse a ter monarca
Ver se não melhoraria
E que ele não seria
Nosso maior patriarca!”


E vai abrindo a arca
De deboche e baixaria
Diz que a ninguém idolatra
Pois odeia idolatria
E vai atacando um lado
E deixa o seu resguardado
É ou não é chularia?


Lhe digo que eu só queria
Em qualquer ocasião
Encontrá-lo frente a frente
Pra dizer: oh meu irmão
Busque livros para ler
Tente a TV esquecer
Me escuta amigão!


Isso de corrupção
É desde lá do passado
Você que é tão sabido
Que se diz ser antenado
Devia ser sabedor
Como não é bom leitor
Deixou de ter estudado.


Aí fica abestaiado
Querendo arranjar peleja
Usando como argumento
Qualquer recorte da veja
Pela TV propagado
E você nela ligado
Em vez de tá na igreja.


Já que não toma cerveja
Nem um vinho geladinho
Vá tomar um açaí
Ou comer um espetinho
Da família acompanhado
Pra continuar chamado
De senhor Mané “Santinho.”

sexta-feira, 18 de março de 2016

AMADA MINHA

(Kynheo Ferreira)

 

Rosto meigo de menina

corpo adulto de mulher

ser submissa não quer

a ser pura se destina

como meu mapa da mina

fumega no meu tesouro

bela pepita de ouro

entorpece igual marfim.


Aos pés da minha amada

prostro-me, beijo-a toda

o machismo que se exploda

quero tê-la engalanada

ao meu corpo abraçada

apaga a luz, fecha a porta

a nossa volúpia corta

mais que fio de espada.


De amor inebriado

de paixão embevecido

de desejo intrumescido

de prazer desnorteado

como réu capturado

não fugirei dos teus braços

ofegante em seus mormaços

ficarei engaiolado.

 

Segue o meu coração

no descompasso do teu

no futuro serei eu

um cetro na tua mão

todo ar do meu pulmão

vem de ti amada minha 

como trem fora da linha

rumo assim sem direção.

 

À noite quero te amar

dentro do jardim florado

adormecer ao teu lado

coberto pelo luar

somos dois formando um par

eu sou rei, você rainha

e assim amada minha

tua boca oscular.

 

 


 

domingo, 6 de março de 2016

POEMA DO NEM... (AO POETA BENILDO NERY)

(Marcos Teixeira)


Nem todo mundo é cristão
Nem toda praga é barata
Nem toda mata é na mata
Nem todo crente é pagão.
Nem toda massa é de pão,
Nem toda calça se calça,
Nem toda festa tem valsa,
Nem todo dia tem sol,
Nem todo torto anzol
Nem toda alça realça .


Nem todo menino é novo,
Nem toda escada é degrau,
Nem todo mal traz um mau
Nem todo polvo é do povo.
Nem todo pinto é de ovo,
Nem toda corda é de linho,
Nem todo espinho é de pinho,
Nem toda graça é de graça,
Nem toda praça tem praça,
Nem todo ovo tem ninho.


Nem todo poeta canta,
Nem todo som é viola
Nem toda bola dá bola,
Nem todo fantasma espanta...
Nem toda fruta é de planta,
Nem toda carga é pesada,
Nem toda manga é espada,
Nem toda faca é de corte,
Nem toda sorte dá sorte,
Nem toda prata é furada.


Nem toda vaca dá leite
Nem todo boi é chifrudo,
Nem todo papa é papudo,
Nem todo óleo é azeite.
Nem toda festa é deleite,
Nem todo convite é festa,
Nem todo teste é na testa,
Nem todo buraco é fundo,
Nem todo mundo é no mundo,
Nem todo louco protesta.


Nem todo véu é noivado
Nem toda aliança é ouro,
Nem todo chifre é de touro,
Nem todo réu é culpado.
Nem todo verso é rimado,
Nem todo toque é de dedo,
Nem todo medo dá medo,
Nem toda vida é eterna,
Nem toda loca é caverna,
Nem todo dia está cedo.


Nem todo cordel é bom
Nem todo poeta é louco,
Nem todo dinheiro é pouco
Nem toda nota dá tom...
Nem toda bala é bom-bom,
Nem todo mestre conhece
Nem toda oração é prece,
Nem todo galo desperta ,
Nem toda terra é deserta
Nem toda oração é prece.


Nem toda escala é numérica,
Nem toda régua divide,
Nem todo agressor agride,
Nem toda linha é estética.
Nem toda prece é profética
Nem todo alto é relevo,
Nem tudo que cobram eu devo,
Nem todo verso eu acerto,
Nem toda hora estou perto,
Nem todo dia eu escrevo.


Marcos Teixeira - poeta de Cuité - RN

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