terça-feira, 9 de junho de 2015

REVELAÇÃO

(Serginho Gommes)


Felicíssima, estou eu
Em ter muita aceitação
Certamente é inegável
Que provoco aberração
E assim firmo pilares
E vou corroendo os lares
Destruindo a nação.        

Uma nação reprimida
Que não tem discernimento
Nem percebe que eu causo
Para todos, o tormento
Nem vê minha intolerância
Essa sua ignorância
Torna-se meu alimento.

Minha missão nesse mundo
Saiba que é manipular
Provocar angústia e medo
Na camada popular
É causar caos e terror
O meu tema é impor
E meu lema é mafiar.

Essa minha imundície
Gera grande covardia
Desse jeito vou vivendo
Em um berço de ironia
Na minha real postura
Apoiei a ditadura
Censuro a democracia.

Sempre ridicularizo
Em chantagem emocional
Minha meta predileta
É lavagem cerebral
Faço tudo quanto quero
Esse povo, considero
Elemento irracional.

Fazer todos de palhaço
É o meu maior prazer
Humilhar e massacrar
Simplesmente é meu dever
Numa tela ocultada
Ao lado dessa manada
Jamais irei fenecer.

Sou o lixo que assola
Mente frágil e vazia
Sou tragédia invisível
Nessa minha rebeldia
Eu espalho insanidade
Em um rio de maldade
E num mar de hipocrisia

Sou pérfida e sou cruel
Faço qualquer um de bobo
Sou a mais podre carniça
Dentro da boca do lobo
Problema seu que me aceita
Me ama, adora e respeita
Só porque me chamo Globo.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

CABRA MACHO

(Kynheo Ferreira)

 

Eu sou o Zé Bigodudo

nascido nos cafundó

tenho os peito cabeludo

num gosto de arigó

sou caboco arretado

às veze sou macriado

parecido um brocoió.

 

Sou macho da linha dura

quando vou numa fusaca

levo na minha cintura

aquela lapa de faca

um cacete de jucá

um revove ou punhá

por debaixo da casaca.

 

Se aiguém me insurtá

aí cumeça a quizumba

o pade sai do artá

o difunto sai da tumba

camelô laiga a muamba

sou impatador de samba

acabador de macumba.

 

Me aimo de oração

acredito munto nisso

no frade Frei Damião

e no Padim Pade Ciço

no santo do canindé

na Vige de Nazaré

rezá é meu cumpromisso.

 

Mais também faço pecado

sou chegado uma cachaça

na muvuca fui criado

já fiz funaré na praça

dei porrada em discarado

danço forró e xaxado

gosto de fazer pirraça.

 

Já brinquei de papangu

baguncei em carnaval

bebo cana com caju

estudei só o mobral

tenho duas namorada

duas morena retada

num gosto de hospital.

 

quem quiser me conhecer

nem precisa falação

pergunte que vai saber

quem Zé do Bigodão

Sujeito namorador

cachaceiro e rezador

cabnra macho do sertão.


 

 




domingo, 31 de maio de 2015

DITADURA, INTOLERÂNCIA/SE FORES FORTE RESISTA!

(Benildo Nery)


Alusão à ditadura
Quem faz só sendo mesquinho
Nanico, pequenininho
Não tem a mente madura
Talvez perdeu a ternura
Se tornou grande egoísta
Ou então virou surfista
No mar da ignorância
Ditadura, intolerância
Se fores forte resista!

Um regime que censura
Que proíbe, que reprime,
Que faz do oposto crime
Que sequestra, que tortura,
Mata e sem sepultura
Não deixa “nenhuma” pista
Pois vale crescer a lista
Isso sim tem importância
Ditadura, intolerância
Se fores forte resista!

Nela a arte não respira
Música boa se cala
O monólogo não fala
O que é lúcido pira
A roda da vida gira
Imitando um mimetista
Sem vez, sem voz e sem vista
Sem altivez e sem ânsia
Ditadura, intolerância
Se fores forte resista!

Não ouve o mais popular
Dos anseios da nação
Despreza a oposição
É vértice “discipular”
Da doutrina angular
De reta nazifascista
E outra militarista
Que conheci na infância
Ditadura, intolerância
Se fores forte resista!

Se ela for proletária
Leal ao socialismo
Também no capitalismo
Terá mesma indumentária
“Pária será sempre pária”
Num regime comunista
Ou em um capitalista
Exalam a mesma “fragrância”
Ditadura, intolerância
Se fores forte resista!

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