terça-feira, 15 de abril de 2014

CONVITE PRA FARREAR

(Benildo Nery)

Se você me convidar
Pra curtir uma bebida
Pergunto: − Qual a pedida?
− O que nós vamos tomar?
Aí se você falar:
− Que tal uma cervejinha?
Eu então fico na minha
Pra ver sua reação
Porque o bom amigão
É mesmo uma cachacinha!

Aí você me indaga:
− E pra comer o que vai ser?
Num repente eu vou dizer:
O que vier não se estraga!
− Qualquer coisa que se traga:
Caldo seja do que for,
Frango, tripa, avoador,
Timbu na brasa até,
Carne com osso ou filé
Tira-gosto eu dou valor!

E em termos musicais
O que tu queres ouvir?
Digo: − Se me permitir
Poucas faixas atuais
Pois eu curto muito mais
Sucessos lá do passado.
Assim será do agrado
MPB, brega, rock
Mas dando o maior enfoque
Ao baião, xote e xaxado.

E quem é que eu chamo mais
Pra curtir esse momento?
Levo em conta o sentimento
Dos seres racionais
E respondo assim: − Os tais
Que você considerar!
Quanto a mim vou ampliar
Com muita propriedade
Meu ciclo de amizade
Nesse nobre farrear.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

MEUS VERSOS

(Kynheo Ferreira)

 

Meus versos são inspirados

No canto do sabiá

No mau cheiro do gambá

E nos jardins perfumados

No sertão seco e rachado

E o camponês choroso

e os ricos orgulhosos

Por serem afortunados.

 

Meus versos também se cria

Da moça namoradeira

Das rezas d'uma parteira

Da vaca lambendo a cria

Do raiar de um novo dia

A manhã ensolarada

De uma festa animada

E uma conversa vazia.

 

Os meus versos são nascidos

Do plantio de feijão

Da colheita do melão

E dos cafezais floridos

Trabalhadores feridos

Pelo salário aviltado

No canavial suados

Vivendo desprotegidos.

 

Meus versos são construídos

Do doce da rapadura

Do prato de fava pura

E os ateus convertidos

Homens usando vestidos

Dizendo ser carnaval

Dos rios do pantanal

Os jacarés perseguidos.

 

Meus versos ficam completos

Nos insetos e besouros

Na guerra: cristãos e mouros

Até nos analfabetos

Nos meninos inquietos

Num copinho de cachaça

No povo que faz a massa

E não passa de objeto.

 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O PINTO

(JCPaixão)


Pode se falar de tudo
Isso é verdade não minto
Falar do que é normal
É natural, é instinto
Das coisas, de liberdade
Do amor, da igualdade
Dos bichos, inclusive pinto.

Me diz quem nasceu primeiro
Foi à galinha ou o ovo
Há que diga foi o pinto
Pinto é um galo novo
Galo novo é pintinho
Repare bem direitinho
Comece tudo de novo.

Quando o pintinho nasce
Dorme debaixo da mãe
Mas depois que ele cresce
Muda muito não estranhe
Pega um costume mau
Passa a dormir no pau
Sem deixar, mesmo que apanhe.

Pinto, sujeito ingênuo
Ou filhote de galinha
Órgão sexual do macho
Bem coberto de peninha
Um ser fácil ou até bobo
O ser mais besta do globo
Será que pinto é bestinha?

Todo mundo quer o pinto
Mais é um pinto menino
Porque ele não é grande
É um pinto pequenino
Só da pra uma pessoa
Eu não falo coisa atoa
O pinto é masculino

Quando se fala de pinto
Tem gente que bate a mão
Pensa sim num pinto grande
Comparado a um tourão
Fica é mesmo contente
E só pensa em sua mente
Em conseguir um pintão.

Já tem gente mais modesta
Trata o pinto com carinho
Pensa em cuidar bem do bicho
Chama ele de bichinho
Só quer mesmo é proteger
Para não deixar sofrer
O danado do pintinho.

Um pinto bem caladinho
É sem barulho e sem som
Vai ser servido na mesa
Por um baita de um garçom
Ta completo não esqueça
Tem pé, asa e cabeça
Espero que ache bom.

Beber cachaça, cerveja
Ou um vinho Samarino
Wisque, vódika, montila
Qualquer sabor alcalino
Tira  gosto com pescoço
Roendo ou chupando o osso
Comendo pinto galino.

Pega o pinto leva o pinto
Coma o bicho com cana
Bote ele na panela
Faça um pirão bacana
Temperado com pimenta
Come quem gosta e agüenta
Sem xingamento sacana.

Que pinto é coisa boa
É o que muita gente diz
Quando se fala no bicho
Fica logo bem feliz
Canta, pula e até grita
Dança, gira se agita
Com o pintinho matriz.

Tem gente que é guloso
E por pinto é doidinho
Só pensa em pinto grande
Inda quer comer sozinho
Fica sim contrariado
Em  ver que o pinto pelado
Não é pintão, é pintinho.

 Não se importe se o pinto
É pequeno ou grandão
O que vale é o tempero
Deixa o bicho gostosão
Pinto grande e mal cuidado
Fica é desengonçado
Só causa decepção.

Quem gosta de ordenar
Diz assim, me obedeça
Procura controlar tudo
É verdade não esqueça
E o pinto quer todinho
Quer o pé o pescocinho
Começando da cabeça.

Quando chego a uma festa
Sinto um prazer profundo
Pois celebrar alegria
Toca lá dentro, no fundo
Quero alegrar não minto
Apresento logo o pinto
O xodó de todo mundo.

Fazer trabalho grosseiro
Nas mãos pode criar calos
Pra satisfazer galinhas
No terreiro tenha galos
E pra agradar a festa
Todo mundo diz só presta
Mode o pinto de Zé Carlos.

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