terça-feira, 3 de junho de 2014

ADOLESCENTE FIEL

(Benildo Nery)


Acordo de mau humor
Não falo com mãe nem pai
Mando a casa do carai
Meu irmão perturbador
Corro pro computador
Sem a cama arrumar
Muito depois de escutar
A minha mãe me chamando
É que eu fico pensando
Em que posso lhe ajudar.

Tomo o café correndo
Com o que tiver na mesa
Saio e deixo acesa
A luz que de dia acendo
A pia cheia só vendo,
De louça para lavar
Mas eu volto a me deitar
No meu quarto sossegado
Levanto com outro chamado
Da minha mãe a gritar.

Pego a vassoura e então
Varro a casa pelo meio
Vejo todos móveis cheio
De pó, mas não ligo não
Ligo o som bem altão
Que é para desopilar
E depois que terminar
A faxina matinal
Posso sentar afinal
Para tentar descansar.

Do cozinhar estou fora
Disso não tenho vontade
Ou melhor, é que a verdade
Quando é chegada tal hora
Me ajeito vou lá fora
Curtir uma fofoquinha
Não olho pra vida minha
Pra dos outros vou em frente
Nisso somos excelente
Eu e a minha vizinha.

Meio dia já chegou
Tomo banho e me arrumo
Almoço e pego o rumo
Para a escola eu vou
Estudiosa eu não sou
Mas não perco um só dia
Sou um poço de simpatia
Na aula sou do agito
Falo alto e até grito
Euzinha aqui contagia!

Mas as tarefas não faço
Ler, calcular, responder...
Não quero compreender
Mando tudo pro espaço
Gosto mesmo é do abraço
Da turma, da zuação.
“Professor preste atenção!
Não queira se complicar
Eu passar ou não passar
Não é da sua conta não!”

Fico de porta em porta
Ligo alto o celular
Um e outro vou chamar
Odeio se alguém se importa
Não gosto de escola morta
Gosto de sentir calor
Enquanto não tem fervor
Eu não fico sossegada
Tenho uma turma formada
Que por mim tem muito amor.

Chega a hora de ir pra casa
Vou pegando o meu destino
Tchau menina e menino!
Saio igual a quem tem asa
Euzinha não se atrasa
Com nada quem quer que seja!
Não importa onde eu esteja
Vou pra casa sem demora
Me preparar para a hora
De ir para minha igreja.

Amo muito fazer isso
De todo meu coração
Sou uma fiel de ação
Alimento a alma disso
E honrando meu compromisso
Dessa prática faço jus
Ao que morreu lá na cruz
Ando léguas até a pé
Tão grande é a minha fé
No grande Mestre Jesus.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

POÇÃO

(Kynheo Ferreira)


Junto carinho e ternura

Elegância e sedução

Meiguice, sonho, doçura

Amor, desejo e paixão

Abraço e olhar picante

Um sussurro provocante

Beijo com alucinação.


Muita sensualidade

Dedicação e projeto

Sorriso e felicidade

Lealdade e afeto

Lábia e todo erotismo

Igualdade é preciso

O casamento concreto.



domingo, 1 de junho de 2014

RANCHO TAPERA

(JC Paixão)


Conheça o Rancho Tapera
E veja como ele é
De taipa bem construído
O chão batido de pé
Na portada tá escrito
Jesus, Maria e José.

Na chegada a gente vê
Um jirau e sabãozeiro
De planta vê xique-xique
Abacaxi e cardeiro
A banana de raposa
O sodoro e o facheiro.

As mobílias desse rancho
Vocês vejam como são
Cuia, ralo e peneira
Cesta, abano e pilão
Garrafa de gás e grelha
E do pilão tem a mão.

Fogão de lenha e carvão
E os tornos na parede
Para pendurar cabide
Caneco de matar cede
Funil, quengo e espanador
Porem não vi uma rede.

Espeto de assar tripa
Tamborete e pilãozinho
Tem o banco de madeira
De brasa o pegadozinho
Quenga e pedra de pilar
O tempero direitinho.

Vassoura de palha tem
Tem mesa, tem candeeiro
O guardador de colher
Preste atenção bem ligeiro
O ferro de engomar
É mesmo um carvoeiro.

Feito de barro aqui tem
Prato, texto e panela
Tem pote, tem cuscuzeira
Fogão, cumbuca e tigela
E a jarra de botar água
Bem pertinho da janela.

Caco de fazer beiju
De arte eu vi um boneco
Torno fincado no chão
Para pendurar caneco
Um espelho pendurado
Próximo ali de uns trecos.

Veja que gesto devoto
De um povo até romeiro
Com os santos na parede
Eu falo sem desespero
Aqui no mês de Santana
São José é o padroeiro.

Os santos que aqui tem
Faz parte da devoção
Tem São Jorge brigador
O padre Cícero Romão
Tem o quadro de Maria
E o frade Frei Damião.

Se a gente procurar
Santos serão encontrados
De quadro, feito de barro
Pelo meio amarrado
Com uma fita bonita
Para ficar enfeitado.

No artesanato tem
Bonecas feitas de pano
Carrinho feito de lata
Não vou entrar pelo cano
Cavalo feito de barro
Cestinha e pião meu mano

Para quem quiser caçar
Tem bodoque e baladeira
Alçapão pra completar
E quem gosta de pesqueira
Tem anzol e samburá
Isqueiro ou minhoqueira.

Pro homem do campo tem
Chapéu de palha e cabaço
Agulha de saco e corda
Chocalho de ferro ou aço
Ferro de botar barril
Fósforo tirado do maço.

Papel de fazer cigarro
Tem ferra de ferrar gado
Tem o fumo de pacote
Por que já vem pinicado
Pra colocar no cachimbo
E vê logo o resultado.

Na culinária se encontra
Milho, feijão, rapadura
Mel e manteiga da terra
Pimenta como mistura
E se quiser tem pau-dentro
Pra não beber cana pura.

A culinária é sortida
Aqui no Rancho Tapera
No dia “D” do evento
Mais sortimento se espera
Um chazin feito das ervas
Pra cura toda misera.

Me desculpe se faltou
De alguma coisa falar
Pra quem gostou tudo bem
Quem não, procure gostar
Aprenda o que é cordel
Ou então vá se...

Gente venha visitar
Este lugar de cultura
Não deixe essa herança
Ir parar na sepultura
Vamos sim valorizar
Assim poder preservar
Legado e literatura.

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