terça-feira, 14 de abril de 2015

O MEU GRANDE AMIGO CELTA

(Benildo Nery)


Durante este tempo inteiro
Lá desde dois mil e dez
Fostes entre os mais fiéis
O meu maior companheiro
E por ser grande parceiro
Vim brindar tal convivência
Receba essa reverência
Desse companheiro seu
Que agora te perdeu
Mas te perdeu com decência.

Pra lá pra cá, todo dia
Na noite às vezes bem tarde
Tu nunca fostes covarde
Ia e vinha, vinha e ia
Enchia os olhos quem via
Nossa linda relação
Por isso amigo irmão
Eu nunca te esquecerei
Certo esteja, o guardarei
Dentro do meu coração.

Atenção, muito carinho
Esse amigo aqui te dava
Sempre sempre te banhava
Te deixava bem limpinho
Quando ficavas sozinho
De longe eu ficava olhando
Quem por perto ia passando
Para não mexer contigo
Porque assim meu amigo
Eu estava te resguardando.

Quantas cargas carregamos
Do mercado ou da feira
Na subida da ladeira
Quantas vezes nos poupamos
Na descida deslizamos
Como quem cortava o vento
Outras vezes sonolento
Eu por ti fui bem levado
Protegido e abrigado
Entre o teu corpo cinzento.

Enfrentamos o sol quente
Dias frios de invernada
Topamos qualquer parada
O que tivesse na frente
Sempre deixamos contente
Os que nos acompanhavam
Indo felizes cantavam
Pra festa de cantoria
Pra praia? Que euforia!
Como todos te adoravam.

Em regime de urgência
Quantos que nós socorremos
Quantas vezes nós tivemos
Que agir com paciência
Mas com toda eficiência
Que sempre andou com a gente
Nós agimos com a mente
Quando ela foi exigida
Porque para salvar vida
É preciso ser urgente.

Quando eu era o paciente
Você que me socorria
Da mesma forma eu agia
Quando te via doente
A convivência da gente
Não tinha trauma nem briga
Reclamação nem intriga
Não lembro se existiu
Mas já que você partiu
Com seu novo amigo siga!

Nunca liguei para o fato
De tu seres estrangeiro
Sempre entendi por inteiro
Teu jeito de ser exato
E esse tempo de contato
Saibas por mim duraria
Mais anos e eu sei que seria
Tempo mais que especial
Um momento sem igual
E de uma grande valia.

Eu por aqui vou ficando
Recordando tais momentos
Preservando os sentimentos
De você sempre lembrando
De certa forma passando
O carinho que era teu
Pra o mais novo amigo meu
O meu novo companheiro
Mas lembre fostes o primeiro
Então diga que valeu!


quarta-feira, 8 de abril de 2015

NOVA SOCIEDADE... NOVAS CRIATURAS!

(Juca Santos)

 

Das loucuras que o velho tempo tinha,
Hoje são sanidades incontestáveis.
Defensáveis, comuns, boas, louváveis.
Divulgadas sempre em primeira linha.

As visões do passado, como a minha.
São lições cansativas, insuportáveis.
Que atormentam as mentes miseráveis
Já lavadas, por ideia mesquinha.

Eis que o novo modelo de verdade,
Deixa a vida à deriva estonteante
E o homem, perdido, atordoado.

A mais nova e global sociedade...
Produtora de mente ignorante,
Psicótica e de alcance limitado.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

UM MENINO DAQUELE JEITO

(Renan Fla)

Eu vou contar pra vocês
Uma história engraçada
Daquelas que quando a gente
Escuta da gargalhada
Um Menino Daquele Jeito
Só fazia trapalhada.

Sou um Menino Daquele Jeito
Criança, bem brincalhão
Só porque tenho manias
Escuto reclamação
Acho que todo esse povo
Tem comigo é marcação.

De serviço eu tô correndo
Dormir é mais prazeroso
Prefiro o comer no prato
É mais fácil e mais gostoso
E só por isso me chamam
De menino preguiçoso.

Não fico em casa sozinho
Pois pode ser perigoso
Só durmo de luz acesa
Que o escuro é tenebroso
E não sei porque me chamam
De garotinho medroso.

Dizem que tenho chulé
Sujeira no pé do ouvido
Só porque não tomo banho
É que às “vez” sou esquecido
Mas, não sei porque me chamam
De garotinho fedido.

Não peso nem trinta quilos
É seca minha canela
Quando estou sem camisa
Dá pra ver minhas costelas
Mas, não sei porque que falam
Os que menino magrela.

Um dia comi demais
Farofa, arroz e pirão
Me deu uma caganeira
Chega melei o calção
Desde desse dia me chamam
Vem cá menino cagão.

Comi um picado azedo
Meu bucho ficou só vento
Soltei um peido daqueles
Que derruba até jumento
E agora o povo me chama
Bicho do pum fedorento.

Gosto de andar descalço
Piso no chão e no lixo
Às vezes meus dedos ficam
Com frieira e com comicho
Mas, não sei porque me chamam
Garoto do pé de bicho.

Não lavo as mãos pra comer
Às vezes minha mãe briga
Não sei o que é higiene
Sempre dói minha barriga
Talvez por isso me chamem
Vem cá bucho de lombriga.

Nunca lavo o meu cabelo
E nem deixo ele de molho
De noite minha cabeça
Coça tanto que me encolho
E o povo só me chama
De cabeça de piolho.

Porque não escovo os dentes
Minha mãe sempre me atenta
Reclama quando eu como
Caraça da minha venta
Mas, não sei porque me chamam
De boquinha fedorenta.

Essa foi a minha história
Veja se não tenho razão
O povo é que me aperreia
Por toda e qualquer ação
Vão me botando apelido
Sem nenhuma explicação.

Terminando a minha história
Um aviso eu deixo feito
Aos garotos de hoje em dia
Escutem, pensem direito
Cuidado pra não se tornar
Um Menino Daquele jeito.

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