quarta-feira, 10 de setembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
MEU SENHOR
(JC Paixão)
Meu
senhor será verdade
As
conversas e os rumores
Pregados
por sacerdotes
Pelos
bispos e pastores
Que
o Senhor é vingativo
Pois
nisso pensando vivo
E
não posso acreditar
Fico
sem puder falar
Contra
seu representante
Gente
sabida e falante
Que
vive falando isso
Em
mim fica um reboliço
Me
torno um ignorante.
Mais
de uma coisa eu sei
Que
minha luta é sofrida
Corro
com medo da morte
Vivo
procurando a vida
Fugi
lá do meu sertão
Da
seca que racha o chão
Matando
animais e gente
Sem
verde só terra quente
É
muito grande o sofrer
Te
procuro pode crer
Pois
quero ser perdoado
Livrai
meu Deus do pecado
Dai-me
um canto pra viver.
Se
chego ao litoral
Na
parte desenvolvida
Sem
estudo e sem dinheiro
Também
é difícil a vida
Não
consigo ter emprego
Aumenta
o desassossego
Pois
não tenho onde morar
Tenho
sim que procurar
Lugar
pra minha criança
Na
favela ou na lamança
Nas
encostas ou enchente
Tu
tens sim raiva da gente
E
essa é tua vingança.
Mais
me diga Senhor meu
Porque
o pobre é castigado
O
rico faz o que quer
Mais
não comete pecado
Diz
assim o povo seu
Que
em nome de Deus
Quem
dá mais tem mais perdão
Só
que não entendo não
Tem
que ser quem dá moeda
Vou
viver sempre na merda
Sem
direito ao amor divino
Se
é esse o meu destino
Nessa
consciência lerda.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
SE PUDER, PEÇA PERDÃO
(Juca Santos)
Eu refletindo outro dia,
Resolvi me perguntar:
O que fizeste até hoje,
No teu viver singular?
Fizeste algo importante?
Algo bom, interessante?
Que alguém possa aproveitar?
Não respondi ao meu eu...
Fui buscando um pensamento.
Sentei num canto sozinho,
Ali fiquei ao relento
Naquela intranquilidade,
Querendo ouvir a verdade
Então, perguntei ao vento.
E o vento me soprava
Tudo de bom que tem feito:
Eu sou pra terra um calmante,
Do oceano o efeito,
Do transporte sou o guia
Sou fonte de energia
Que o mundo tira proveito.
Porém eu não sou perfeito,
Disse o vento meu irmão.
Se eu soprar forte demais,
Ou mudar a direção,
Posso causar tempestade,
Arrasar vila, cidade
Trazer a destruição.
Eu não fiquei satisfeito
Busquei outro desafio.
Sai dali, fui andando...
Horas e horas a fio
Pensei em outra proposta
Querendo melhor resposta
Eu fui perguntar ao rio.
Sentei a margem e fiquei
Da cascata ouvindo o som,
Admirando a beleza,
Naquele solo marrom
Sem sentir calor, ou frio
Então perguntei ao rio,
O que fizeste de bom?
Uma voz forte me disse:
Eu fertilizei o chão,
Fiz surgir grandes riquezas,
Sustentei embarcação,
Admiti sua rede
Matei a fome e a sede
De toda população.
Nesse momento, um trovão!
Disse: Calma, por favor!
Já aumentei suas águas,
Já lhe deixei com furor,
Seu leito foi saturado
E você foi transformado
Em grande destruidor.
O tempo havia passado...
Vi que não era mais dia.
Então perguntei a noite
Se algo de bom traria
Qual seria seu segredo
Pra transmitir tanto medo
Que virtude então teria?
Mas, foi dessa escuridão
Que a verdade pude ouvir.
Me disse: sou uma parte
Do dia que vai surgir
Metade do planisfério
Descansa no meu mistério
Esperando o dia vir.
Ela ainda esclareceu:
Todo homem é como o dia...
Tem a luz, que representa
A sua sabedoria
E como a noite arrepiante
Tem um lado ignorante,
Escuro, cego de guia.
Então fiquei mais tranquilo,
Todo homem é assim.
Possui um lado que é bom,
Outro lado é ruim
Se fiz o mal a alguém,
Pra muitos já fiz o bem,
Deus! Tenha pena de mim.
O importante é saber
De tudo tirar lição,
Se um dia te magoei,
Sei que foi sem intenção,
Por isso com muito amor
Envio a cada leitor
Meu pedido de perdão.
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