quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

DEUS NOS MITOS

(Kynheo Ferreira)


Aqui no nordeste temos

nomes imortalizados

seus feitos vivem entre nós

os corpos foram enterrados

a matéria derretida

mas vivem dentro da vida

Como Deuses renomados.

 

Adão o homem do barro

que não foi feito menino

também lá em Pernambuco

um criador de destino

do barro ele fez os seus

parecendo a mão de Deus

Sobre o mestre Vitalino.

 

Saiu Moisés do Egito

conduzindo a multidão

matando seus inimigos

numa astuta ação

aqui teve um cangaceiro

acho que o Deus justiceiro

repousava em Lampião.

 

Davi, tocador de harpa

afugentou toda praga

para divertir o rei

usando de sua saga

nós tivemos um melhor

como que o Deus do forró

viveu em Luiz Gonzaga.

 

Se Deus é libertador

Também lutou por aqui

em Antônio Conselheiro

fez liberdade surgir

do Quilombo a Balaida

pra ter nação libertada

se infiltra Deus em Zumbi.

 

Salomão, rei e poeta

também fez várias façanhas

seu livro de poesias

peliteiou muitas campanhas

hoje não é diferente

Porque Deus se faz presentes

nos Poetas de Montanhas.

 


 

 



domingo, 8 de fevereiro de 2015

O DECOTE DE TEREZA

(Benildo Nery)


Lá vem Tereza chegando
Linda e maravilhosa
Como sempre bem vestida
Sorrindo, puxando prosa
Vendo isso me embaralho
Esqueço estar no trabalho
Por causa dessa gostosa.

Não só eu fico assim
Agindo feito abestado
O que é macho do setor
Fica hipnotizado
Eu estou vendo a hora
De ser é mandado embora
Por assédio acusado.

Mas homem tu fica rindo!
Não ria é pra chorar!
Quando ela chega o serviço
Só falta mesmo é parar
Desse jeito o meu patrão
Claro não aguenta não
Cabeças irão rolar.

Apesar que ele também
Dá suas espiadinhas
Tá certo que mais discretas
Que as espiadas minhas
Por ser o patrão, “o rei”
Estou certo disso, eu sei
Que rola umas cantadinhas.

E Tereza continua
Seu trabalho rotineiro
Mais que mulher mais bonita!
Nossa mãe! Oh, que traseiro!
Se eu pudesse ficaria
No trabalho todo dia
A olhando o dia inteiro.

Só olhando bastaria
Para eu satisfazer
O meu ego, minha tara
Pra me sentir no poder
De pensar que ela é minha
De pedaço não, todinha
Me afogando de prazer.

Ah, se eu fosse o patrão
Ali sentado com ela!
Usaria do poder
De ser comandante dela
Atiraria a esmo
E aqui no trabalho mesmo
Faria uma novela.

Pegaria a sua mão
Apertando levemente
Sentaria bem mais perto
Tipo assim: frente a frente
Coisas loucas falaria
Sua boca beijaria
De forma bem indecente.

Lhe pegaria em meus braços
Beijaria o seu cangote
Alisaria seu corpo
A partir do seu decote
A jogaria na rede
Mataria a minha sede
Com a água do seu pote.

Não ligaria se ela
Me desse um tapa na cara
O que ia valer mesmo
Era matar minha tara
Me jogasse lá do prédio
Me acusasse de assédio
E me levasse pra vara.

Responderia um processo
Preso sei que ficaria
Mas o tempo na prisão
Usado por mim seria
Pra ficar pensando nela
Lembrar do jeitinho dela
Dia e noite, noite e dia.

Quando eu saísse dali
Com a tara ainda acesa
Rejuntaria os pedaços
Abriria outra empresa
Daria emprego pro povo
Só pra poder ver de novo
O decote de Tereza.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Oh, "SUÍÇA DO AGRESTE"!

(Benildo Nery)

 

Um vilarejo cercado
Por mais de uma lagoa
Teve e foi uma boa
Seu território cortado
Por trilhos e o trem lotado
De mercadoria e gente
E numa escala crescente
Deu-se a povoação
Formando a população
De um povo humilde e valente.

Que povo de um coração
Gentil e hospitaleiro
Que se entrega por inteiro
A uma recepção
Visitante em nosso chão
Senta, come, bebe e deita
Toma banho, se deleita
Respira o mais puro ar
Sem convite pra voltar
Voltar ele sempre aceita.

Povo que viu desfilar
O poeta violeiro,
A sanfona, o forrozeiro
O artista popular,
Como deixar de lembrar
Os aboios e cabeçadas
Em noites alumiadas
Boi de Reis e João Redondo
Na rua, em salas expondo
Shows que arrancavam risadas.

De dezembro a dezembro
As noitadas ao luar
Das rodas de cirandar
Ainda hoje me lembro
Vez em quando eu relembro
Histórias que eram contadas
Pelos jovens escutadas
Fábulas e de trancoso
Da boca do mais idoso
Muito, muito apreciadas!

Lembro dos banhos, braçadas
Na lagoa principal
Do correr no matagal
Da pesca e das caçadas
Das paqueras nas calçadas
Sem querer tão cedo entrar
Para não desperdiçar
Nenhum minuto de hora
Mas bem triste ir embora
Ao ver a hora avançar.

Riquezas foram geradas
Pela sua produção
Das lavouras de algodão
Às noites de farinhadas
E outras culturas plantadas
Feijão, batata e milho
Que sustentou cada filho
Desse lar mais que amado
De um solo abençoado
Que nos seus caminhos trilho.

Quanto tempo já passou
Oh, minha terra querida!
Como mudastes de vida
Muito teu se transformou
Muita coisa se findou
Muita coisa se perdeu
Dele, dela, meu e seu
Foi deixada para trás
Mas tem coisas que jamais
Nosso povo se esqueceu.

Festa de Reis em janeiro
Aquela mais esperada
O esporte de vaquejada
Pontuais o ano inteiro
E no mês do padroeiro
A fogueira em chama acesa
As novenas... que beleza!
Feitas no Mês Mariano
Junta fulana e fulano
Sem riqueza e nem pobreza.

Cada rua em que passamos
Tem nossas marcas marcadas
Seja em simples caminhadas
Ou quando nós pedalamos
Pedrinhas e pó levamos
Nesses diversos momentos
Da terra ou dos calçamentos
Sim! Sim! Isso é possível!
Nos pés, não perceptível
Mas em nossos pensamentos.

Oh, minha terra querida
Entrelaçada estás
Com cada um que aqui jaz
E com quem está com vida
Com quem está de partida
E com quem está voltando
Com quem já está morando
E com quem irá morar
Com quem respira o teu ar
Feliz em está respirando.

Tu te confundes com cada
Pedaço desse teu chão
Do mais humilde rincão
A área mais abastada
Cada rio, açude, estrada
Sob o teu azul celeste
De norte a sul, leste e oeste
Fazem jus a tua história
Viva na nossa memória
Oh, "Suíça do Agreste"!

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