quarta-feira, 8 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
CURTUME DE ALMAS
(Benildo Nery)
Sou um
amaldiçoado
Sem pai, sem
mãe, sem parente
Feito um
reles indigente
Sem deixar
nenhum legado
Fui nessa
cova jogado
Sem direito
aquela cruz
Que a fé do
mundo conduz
Sem choro e
sem rezador
Como o pior
pecador
Que não tem
direito a luz.
Junto a mim há
outros tantos
Cumprindo a mesma
sentença
Sentindo a
indiferença
De quem não
derramou prantos
E nem nos
cobriu com mantos
Ou com uma
veste decente
Num breve futuramente
Já nem
seremos lembrados
Comentados e
guardados
No coração
de um somente.
Espero ser
pagador
Aqui nesse
vil lugar
De tudo que
eu quis pecar
Quando fui
um visitador
Desse mundo
sem pudor
De culpado
que condena
Da maldade bem
serena
Camuflada em
bondade
E que faz da
caridade
A maior e
pior pena.
Sendo assim sei
ficarei
No submundo
deitado
Cada um que
for pecado
O seu preço
pagarei
Do meu lado outros
verei
Pagando o
que estou pagando
Eternamente aguardando
Um facho de
luz, um lume
Que nos
livre do curtume
Noutro mundo
acordando.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
DEPOIS QUE A FESTA TERMINA
(Benildo Nery)
Foi grande a
divulgação
Pra o show
ser realizado
O palco já
foi montado
Já subiu a
atração
Está uma
lotação
De uma a
outra esquina
Velhos,
jovens muita “mina”
Da cidade e
de fora
Se divertem
e vão embora
Depois que a
festa termina.
Barracas bem
recheadas
Com lanches,
muita comida
Muitos tipos
de bebida
Bugigangas
variadas
Também foram
instaladas
Uma espécie
de cabina
Vômito, fezes
e urina
Dele, minha,
seu e sua
Não farão
feder a rua
Depois que a
festa termina.
Os primeiros
que chegaram
Marcaram o
seu lugar
Uma mesa pra
sentar
E outros em
pé ficaram
Um "kit" no
bar compraram
São bem
fiéis a rotina
Aqueceram a
turbina
Já estão se
balançando
E o local só
vão deixando
Depois que a
festa termina.
Tendo
curiosidade
Alguns vão
só conferir
O som, o
show a curtir
Sem gostar
da qualidade
Mas de ver
mata a vontade
Os passos da
dançarina
Com uma
roupa pequenina
Sensual e
provocante
Vão embora
seis em diante
Depois que a
festa termina.
Outros não
bebem, não dançam
Vão só para
fofocar
Meter o pau,
reclamar
Disso eles
não se cansam
Mas lá pras
tantas amansam
Ouvindo a "concertina"
Pras mais tantas
a adrenalina
No seu corpo
se espalha
Cega está
sua navalha
Depois que a
festa termina.
É alô pra muita gente
Alô pras autoridades
Desta e de outras cidades
Para os órgãos competente
"É uma honra pra gente!
Valeu Dona Miguelina
Prefeita de Cochinchina!"
Chega a doer os "ouvido"
E só termina o moído
Depois que a festa termina.
A atração já
cumpriu
No local o
seu papel
Já tá clareando
o céu
O Sol brilhante
surgiu
Se ouve um P...
que pariu
Da boca de
uma menina
Amarela à margarina
Totalmente embriagada
É a maior presepada
Depois que a
festa termina.
O palco é
desmontado
As barracas
são também
É um grande
vai e vem
De "caboco"
embriagado
Motor de
carro ligado
Só gastando
gasolina
Lixo de esquina
a esquina
E os "trans"
com “vadieza”
Mais só
começa a limpeza
Depois que a
festa termina.
É a vez dos
varredores
Interferirem
na cena
Com mãozinha
bem pequena
Os moleques
catadores
Senhoras e
até senhores
Que a vida é
uma ruína
Reviram o
lixo, a latrina
Juntam plástico
e metal
O espaço
volta ao normal
Depois que a
festa termina.
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